Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poesia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Tudo, todos e o todo - Carlos Rodrigues Brandão

Somos feitos de barro e do fogo
e por isso somos o desejo e o amor.
Fomos feitos de terra e de água
e assim somos eternos como a vida
e somos passageiros como a flor.
Somos a luz a sombra, o claro, a escuridão
a memória de deus, a história e a poesia.
Somos o espaço e o tempo, a casa e a janela
e a noite e o dia, e o sol e o céu e o chão.

Somos o silêncio e o som da vida.
O estudo, a lembrança e o esquecimento.
Somos o medo e o abandono.
A espera somos nós e somos a esperança.
Pois não somos mais e nem menos do que o todo
e nem somos menos e nem mais que tudo.
Somos o perene e o momento, a pedra e o vento
a energia e a paz, a vida criada e o criador.

Somos o mundo que sente, e irmãos da vida
somos a aventura de ser vida e sentimento.
E assim em cada ave que voa há nossa alma,
e em cada ave que morre, a nossa dor. 

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Sessão talento

Em nosso blog, os textos escritos por nossos estudantes terão lugar de destaque. 
Vamos ler o poema escrito pela aluna Lavinia Mendes do Nono ano B

Na Língua Portuguesa
Todos são amigos
Estão no mesmo parágrafo
Se encaixam no mesmo contexto
Mas,
No meu mundo gramatical
O conflito é normal
Não combinam predicado e sujeito
Não existe sentido no texto
Interrogação?
Não tem nada a ver com argumentação
Vírgula é a mesma coisa do que ponto de exclamação
Reticência é travessão
É melhor nem falar da preposição
Substantivo é irmão da oração
Que mundo maluco, esse meu
Um dia vai mudar
Enquanto isso é bom esperar
Vai que a Gramática resolve se revoltar!


Gostaram do poema? 
Querem ver seu texto (qualquer gênero) publicado aqui? 
Então, façam como a Lavinia. Procure o Professor Luiz Fabiano.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

                 Alunos do oitavo ano, nós trabalhamos em sala de aula somente a última estrofe deste belíssimo poema de Drummond. Conheçam o restante deste convite, em forma de obra de arte.


Receita de ano novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Drummond

Aula de leitura - Ricardo Azevedo

Aula de leitura


A leitura é muito mais

do que decifrar palavras;

quem quiser parar pra ver

pode até se surpreender:

vai ler nas folhas do chão

se é outono ou se é verão;

nas ondas soltas do mar,

se é hora de navegar;

e no jeito da pessoa,

se trabalha ou se é à-toa;

na cara do lutador,

quando está sentindo dor;

vai ler na casa de alguém,

o gosto que o dono tem;

e no pêlo do cachorro,

se é melhor gritar socorro;

e na cinza da fumaça,

o tamanho da desgraça;

e no tom que sopra o vento,

se corre o barco ou vai lento;

e também na cor da fruta,

e no cheiro da comida,

e no ronco do motor,

e nos dentes do cavalo,

e na pele da pessoa,

e no brilho do sorriso,

vai ler nas nuvens do céu,

vai ler na palma da mão,

vai ler até nas estrelas

e no som do coração.

Uma arte que dá medo

é a de ler um olhar,

pois os olhos têm segredos

difíceis de decifrar.

(Se eu fosse Aquilo - Ricardo Azevedo. Editora Ática.)